Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no domingo (25/10) e começa o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027. Até lá, há uma série de etapas: a diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a definição da equipe de ministros, a votação do Orçamento de 2027 no Congresso e a cerimônia de posse, que pela primeira vez não acontece em 1º de janeiro. Veja o calendário completo, o que cada etapa significa e o que o mercado espera desse período.
O resultado oficial da eleição
Segundo o TSE, o resultado do segundo turno foi:
| Candidato | Votos | Votos válidos |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 64.256.232 | 51,79% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 59.826.041 | 48,21% |
Compareceram às urnas 128,2 milhões de eleitores, de um total de mais de 158 milhões aptos a votar. A abstenção foi de cerca de 19,2%, menor que a do primeiro turno (21,08%). O vice-presidente reeleito é Geraldo Alckmin (PSB).
O resultado foi proclamado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, na noite da eleição. Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27/10) e, ao fim do novo mandato, em 2031, terá 85.
O calendário até a posse
| Data | O que acontece |
|---|---|
| Até 15 de dezembro | Julgamento das prestações de contas de campanha dos eleitos |
| Até 18 de dezembro | Diplomação de Lula e Alckmin pelo TSE |
| Até 22 de dezembro | Prazo previsto para o Congresso votar o Orçamento de 2027, antes do recesso |
| 5 de janeiro de 2027 | Posse do presidente e do vice no Congresso Nacional |
| 6 de janeiro de 2027 | Posse dos governadores eleitos |
| 1º de fevereiro de 2027 | Posse dos deputados federais e senadores eleitos e início da nova legislatura |
A diplomação
A diplomação é o ato em que a Justiça Eleitoral reconhece oficialmente os eleitos e entrega a eles o diploma, documento com o nome, o partido e o cargo. O TSE tem até 18 de dezembro para diplomar o presidente e o vice. A data exata da cerimônia ainda vai ser marcada pelo tribunal.
A diplomação não dá início ao mandato, mas é uma condição obrigatória para a posse. Antes dela, a Justiça Eleitoral precisa julgar as contas de campanha dos eleitos.
É também a partir da diplomação que correm os prazos para eventuais contestações na Justiça Eleitoral:
- Recurso contra a expedição do diploma: pode ser apresentado em até três dias após a diplomação.
- Ação de impugnação de mandato eletivo: pode ser apresentada em até 15 dias após a diplomação, nos casos previstos na Constituição, como abuso de poder econômico, corrupção ou fraude.
O candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, afirmou que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. Ele critica a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender o horário de votação em cerca de dez estados. Qualquer pedido será analisado pela Justiça Eleitoral dentro desses prazos e regras.
Por que a posse é em 5 de janeiro
Desde 1995, os presidentes tomavam posse em 1º de janeiro, data fixada pela Constituição de 1988. A Emenda Constitucional nº 111, de 2021, mudou a data para 5 de janeiro a partir das eleições de 2026, e a dos governadores para 6 de janeiro. O objetivo foi tirar a cerimônia do feriado de Ano-Novo, o que dificultava a presença de autoridades estrangeiras e do próprio público.
Com isso, o mandato atual de Lula, que começou em 1º de janeiro de 2023, terá quatro dias a mais. O novo mandato vai até janeiro de 2031.
Como é a cerimônia de posse
A posse acontece numa sessão solene do Congresso Nacional, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, conduzida pelo presidente do Senado. Os passos principais são:
- Compromisso constitucional: o presidente e o vice prometem “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, como determina o artigo 78 da Constituição.
- Assinatura do termo de posse.
- Discurso ao Congresso e à nação.
O Congresso não vota a posse nem confirma o resultado: o papel dele é receber o compromisso e formalizar o início do mandato. Pela Constituição, se o presidente ou o vice não assumirem o cargo em até dez dias após a data marcada, salvo motivo de força maior, o cargo é declarado vago.
Haverá equipe de transição?
Não da forma tradicional. A lei que criou as regras de transição de governo (Lei nº 10.609, de 2002) diz expressamente que elas não se aplicam quando o presidente é reeleito. Como o governo continua o mesmo, não há troca de equipe nem passagem formal de informações.
Na prática, porém, o período até a posse costuma ser usado para reorganizar o governo: trocar ministros, redistribuir pastas entre os partidos aliados e definir as prioridades dos próximos quatro anos.
A equipe econômica e o mercado
A principal dúvida do mercado financeiro é quem vai comandar o Ministério da Fazenda no novo mandato. Hoje, o ministro é Dario Durigan, que assumiu o cargo em março de 2026, no lugar de Fernando Haddad. Até esta terça, não havia anúncio oficial sobre quem fica no cargo a partir de 2027.
- Galípolo descarta a Fazenda: o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça que não é cotado para o cargo, que seu mandato no BC vai até 2028 e que está “muito contente” onde está.
- Sinal ao mercado: Durigan afirmou ter conversado com Lula sobre a necessidade de dar um sinal ao mercado e disse que o governo tem medidas fiscais prontas.
- Reação dos investidores: na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88% e o dólar subiu mais de 8%, refletindo a preocupação com as contas públicas. Nesta terça, o dólar devolveu parte da alta, e a bolsa caiu mais 0,51%. Veja os números no Mercado Financeiro Hoje de 27/10.
- Nota de crédito: a agência Moody’s manteve a nota do Brasil depois da eleição, mas alertou para o nível da dívida e dos déficits.
Orçamento de 2027 e relação com o Congresso
Antes da posse, o Congresso precisa votar o Orçamento de 2027, que define quanto o governo pode gastar e em quê no primeiro ano do novo mandato. O prazo previsto é até o início do recesso parlamentar, em 22 de dezembro. A votação será um dos primeiros testes da relação entre o governo reeleito e os parlamentares.
Na segunda-feira (26/10), Lula se reuniu com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que defenderam “harmonia” e “diálogo” entre os Poderes. O atual Congresso fica até 31 de janeiro. A partir de 1º de fevereiro de 2027, tomam posse os deputados e senadores eleitos em outubro.
A repercussão internacional
Vários líderes estrangeiros parabenizaram Lula pela vitória, entre eles o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O governo da China também se manifestou. Até a terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não havia comentado o resultado, segundo a imprensa.
O que muda para você até a posse
- Nada muda de imediato: o governo segue funcionando normalmente, e programas, benefícios e regras continuam valendo.
- Atenção ao Orçamento: o texto de 2027 define valores como o do salário mínimo e de programas sociais para o próximo ano.
- Dólar e juros: enquanto a equipe econômica não for definida, o câmbio e os juros futuros podem continuar oscilando. Se vai viajar ou comprar algo em moeda estrangeira, acompanhe a cotação no nosso conversor de moedas.
Perguntas frequentes
Quando Lula toma posse?
Em 5 de janeiro de 2027, numa sessão solene do Congresso Nacional, em Brasília.
Por que a posse não é mais em 1º de janeiro?
A Emenda Constitucional nº 111, de 2021, mudou a data a partir das eleições de 2026, para tirar a cerimônia do feriado de Ano-Novo.
Quando é a diplomação?
O TSE tem até 18 de dezembro de 2026 para diplomar o presidente e o vice. A data exata da cerimônia ainda será marcada.
Quando os governadores tomam posse?
Em 6 de janeiro de 2027. Os deputados federais e senadores eleitos tomam posse em 1º de fevereiro.
Fontes: TSE; Exame; Tribuna de Minas; O Tempo; Metrópoles; InfoMoney; Tribuna de Minas (repercussão internacional).